domingo, 27 de fevereiro de 2011

Quilombolas mateenses na telona do cinema

Documentário é baseado nas tradições e cultura dos quilombolas de São Mateus e Conceição da Barra. Dança, culinária e a produção econômica das comunidades foram pontos fortes da obra

Produção de beiju na  comunidade de São Cristóvão, em São Mateus.
Produção de beiju na comunidade de São Cristóvão, em São Mateus.



São Mateus - O filme foi gravado em sete comunidades quilombolas de São Mateus e em mais de 15 em Conceição da Barra. “Reis Quitumbis” é uma obra de 27 minutos e retrata a realidade negra na região do Sapê, Norte do Espírito Santo. Tendo direção do antropólogo Osvaldo Martins e fotografia do cineasta Ricardo Sá, a história é uma viagem às origens e no cotidiano dos quilombolas envolvidos na produção econômica e cultural das comunidades.
Realizado entre 2007 e 2009 com recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional  (Iphan) e com produção do Instituto Elimu Professor Cleber Maciel, o documentário atravessa fronteiras e mostra uma síntese da cultura e das atividades produtivas dos derivados como a mandioca, farinha e o tradicional beiju.
“Tudo isso foi muito trabalhoso, mas compensador. As comunidades dos quilombolas foram os principais protagonistas. Eles tiveram total participação no processo, desde o início ao fim”, disse Martins.
Segundo o diretor do documentário, como o filme foi baseado na vida dos quilombolas, na obra, foram eles que ajudaram a moldar o “Reis Quitumbis”. “Foi bem interessante. Nós íamos fazendo e tudo era apresentado às comunidades, e assim, eles opinavam, faziam as críticas e nós íamos acrescentando. Acho que esse foi o segredo, tudo ficou muito real”.
Retrato
Em São Mateus o documentário foi filmado nas comunidades do Córrego do Macucu, São Cristovão, Chiado, Diló Barbosa, Nova Vista, Palmitinho e Laudences.
Ao todo, o Estado possui 32 comunidades quilombolas reconhecidas. Entretanto, apenas oito processos estão em andamento no Instituto Nacional de Reforma Agrária.  Destes oito processos, cinco estão parados há mais de um ano. São eles, os das comunidades São Cristóvão, São Domingos, Serraria, Linharinho e Bacia do Angelim.
O filme foi lançado no início deste mês em Vitória, no Cine Metrópolis, Ufes e também no Centro Diocesano de São Mateus. Além disso, foi exibido em todas as comunidades quilombolas que serviram de instrumentos de pesquisa e composição do documentário. “O resultado está pronto e estamos à disposição para apresentar “Reis Quitumbis” onde se interessarem pela obra” – ressalta Martins.
A próxima apresentação acontece no Cine Metrópolis da UFES, no dia 15 de outubro às 21h, no Festival do Cinema Negro.